Thursday, June 16, 2005

Da Terra

Escuro,enfim, é o passo
na entranha do piso em que antes
escura, repete a terra
o sono de extinto
pássaro

Friday, June 10, 2005

Do Fogo

Exílio de si, o fogo
se mastiga o tempo
da extinção
não matura o próprio
concluir-se: e devolvendo
à carne o prazer da
cinza
não limita
o que nele é fogo
ou fantasmagoria.

Tuesday, June 07, 2005

Sombra de Aquiles

O país e a terra que domaste, deixa-os
pois hora é dada para o sopro e dos escombros
que ora tens resta a figura, não mais dorsos
de heróis que decepaste no ocaso.
E só fantasmas a textura que ressente
nos teus dedos de chumbo - pares de guerra
resvalando sombra a sombra sem tocar
praia de antes em que vagou a fúria.
Ao batel, enfim, retorna e em rito
de espúria e grave idade liba os ossos
da vitória que não tua e o vão presságio
que esqueceu,ai tua vida - este naufrágio.

Saturday, June 04, 2005

Ruínas de Bizâncio

(A W.B Yeats)

Deram-me um ícone a queimar inteiramente.
É todo uma palavra, um
segredo calcado contra a bruma. Eu o to
co e seu incêndio em mim alastra
uma lembrança de raízes, uma
pátria emudecida.
Ali amdurecem antigas fontes
sob o pão entregue à cárie e mais crepita
o sêmen onde, mais abaixo
da cor ressona a torre anoitecida.
Deram-me um ícone e todo ele
vibra na exposta face que me dura.
Ah, já queimo os símbolos
e o ícone escava então escama a escama
e consegue, enfim, calar comigo.

Friday, June 03, 2005

Morrer uma pedra

Vem este arrepio de março no granito.
Todo o esforço por ser rocha
num vórtice. A pele florindo
em abetos e húmus matutino. A pele.
Como substância perene e exata
ao dobre da infância. Qualquer coisa
alegre como a altura:
manhã!
Com a doçura de morrer em seus tentáculos.

Thursday, June 02, 2005

O testamento do hierofante

Aqui, onde movemo-nos
resta o suor
de algo mais alto. Não encantes
o dorso nem almejes do ar
a fala próxima. Pois no estio
da idéia, entre o estupor
destes silêncios
jorra a pureza.
Em vão procurarei magos, rabiscos
de estrelas, sortilégios
da água
para mostrar o instante. Puro.
E sobre corolas nervosas de sol
em tua mão sorrirei o pulso
e sonharemos.