Tuesday, May 31, 2005

Para o inverno enfim recorre todo amor

Para o inverno enfim recorre todo amor.
Vã a carícia se arremete contra a luz
num golpe surdo à pele arrefecida.
Como se algo
armado na sutil matéria
entre os lábios movesse o peso
de minuto contido nele somente.

Duro o trabalho
de amar a onda
no instante azul
em que deixa o céu e
toca os próprios ossos: pois espraiada
e toda espuma
é que mostra seu durar. Não choremos,
porém. Pois a água
revisita antigos sítios.
E se guardamos
em ilhas íntimas o rumor escuro da
corrente, é enfim possível
retornar-nos.

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